Desafios educacionais numa era de grandes transformações e de novas exigências na prática escolar

Desafios educacionais numa era de grandes transformações e de novas exigências na prática escolar

Rede PEA-UNESCO/Regional São Paulo

Mais de trezentos educadores paulistas participam da Reunião Anual da Rede PEA-UNESCO/Regional São Paulo, que aconteceu no dia 18 de março no Colégio Guilherme Dumont Villares.

A Regional São Paulo da Rede de Escolas Associadas PEA-UNESCO promoveu no dia 18 de março a sua Reunião Anual, com a presença de mais de trezentos educadores de escolas paulistas. A abertura oficial do encontro foi realizada pela Professora Eliana Baptista Pereira Aun, Coordenadora da Regional São Paulo da Rede PEA-UNESCO e Diretora Geral do Colégio Guilherme Dumont Villares, que destacou a importância do encontro, as metas da Rede para 2017 e os desafios que os educadores têm encontrado numa era de grandes mudanças e de novas exigências na prática escolar.

“Como promover o pensamento crítico, a tolerância para aprender a superar barreiras e preconceitos num mundo cada vez mais multicultural?” foi o tema inicial do encontro apresentado pela Srª Isabela Mazão, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – ACNUR – BR, que, dentro dos princípios da UNESCO da promoção da cultura de paz e de defesa dos direitos humanos, discorreu sobre o papel da ACNUR e a importância da educação frente ao acirramento da xenofobia que assola os dias atuais.

Ela lembrou que o Brasil sempre teve um papel pioneiro e de liderança na proteção internacional dos refugiados. Foi o primeiro país do Cone Sul a ratificar a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, no ano de 1960, e que o trabalho do ACNUR no Brasil é pautado pelos mesmos princípios e funções que em qualquer outro país: proteger os refugiados e promover soluções duradouras para seus problemas. No Brasil, há atualmente cerca de 5.200 refugiados reconhecidos pelo governo (2013), de mais de 80 nacionalidades diferentes e, apesar de ser reconhecido internacionalmente como um país acolhedor, aqui também o refugiado encontra dificuldades para se integrar à sociedade brasileira, principalmente no que se refere à língua e à cultura.

A seguir, o Professor Edson Grandisoli, biólogo, mestre em Ecologia de Ecossistemas e doutorando em Educação e Sustentabilidade, proferiu a palestra “Ação Climática: protagonismo e cooperação na escola”, abordando práticas educativas que conduzem a uma atitude reflexiva sobre a problemática socioambiental advinda das mudanças climáticas. Segundo ele, o discurso socioambiental de cunho preservacionista não é novidade na escola, em seu currículo e materiais didáticos, mas, de modo geral, as questões socioambientais ainda são tratadas com o foco no problema, e tratam algumas soluções como apêndices, fazendo-os, muitas vezes, parecer grandes e distantes demais da realidade da maioria dos alunos. Nesse formato, o discurso educacional se torna desinteressante, pois não estabelece significação e seu resultado é a desmobilização e a imobilização. Para o educador e pesquisador, os estudantes têm que saber, por exemplo, como os gases estufa ajudam a aquecer o planeta ou como os CFCs agridem a camada de ozônio, mas essa compreensão dos processos não deve constituir a linha de chegada em termos de aprendizagem e estímulo a novos comportamentos.

Então, como delinear uma sociedade mais sustentável do ponto de vista educativo? Como substituir competição por cooperação e solidariedade? Como pensar em coletividade e alteridade em um mundo que enaltece o individual? Por que falar em sentimentos tão distantes da realidade escolar? Qual o passo fundamental para uma sociedade mais sustentável dentro de suas mais diferentes facetas?

Abordar na escola aspectos cognitivos e afetivos de maneira combinada certamente colaborará na formação de pessoas mais íntegras, integrais e interligadas, afirmou o professor Edson. A ideia de sustentabilidade e as questões ambientais são importantes e desejáveis, mas sozinhas impedem que enxerguemos um quadro maior, onde os desafios socioambientais comuns sejam compreendidos por diferentes aspectos, históricos, culturais, ambientais e econômicos, entre outros, e que essas características e processos devem estar presentes na sala de aula, na escola e em todas as instituições e pessoas que trabalham com educação.

Por sua vez, o Sr. Eduardo Monaco, da National Geographic Learning – GSM/Brasil, e a Sra. Rosane Di Genova, da Elt Business Manager/Brasil, fizeram a apresentação da multiplicidade de recursos oferecidos pela National Geographic Learning, provedora de materiais didáticos e paradidáticos de qualidade, para trazer o mundo para a sala de aula e a sala de aula para a vida.  O programa é resultado da parceria entre National Geographic e a Cengage Learning para aproveitar um legado de mais de 100 anos de conteúdos, que incorporam fotografias espetaculares, investigações apaixonantes e, sobretudo, uma vocação pela sustentabilidade por meio da provisão de uma educação de primeiro nível, que cative e comprometa os estudantes. Desenvolver materiais de aprendizagem impactantes, inspiradores, motivadores e transformadores que capturam e reflitam o trabalho da National Geographic para professores e alunos em qualquer parte do mundo é o objetivo do projeto.

Encerrando a Reunião Anual das Escolas Associadas – Rede PEA-UNESCO/Regional São Paulo, a Professora Eiana B. P. Aun retomou sobre a importância da celebração do Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento e o grande potencial da indústria do turismo, que responde por cerca de 10% da atividade econômica mundial, para contribuir para a luta contra a pobreza e promover a compreensão mútua e o diálogo intercultural, temas centrais da missão da UNESCO.