Publicado em 28.03.2018 - Eventos - Sem comentários

__OS4870            site_abertura de página

Mais de uma centena de educadores, representando escolas da Capital, região metropolitana e interior do Estado, participaram da Reunião Anual das Escolas Associadas PEA-UNESCO – Regional São Paulo, realizada no Colégio Guilherme Dumont Villares, em 17 de março de 2018.

__OS4856               __OS4882

 

__OS4897               __OS4916

Aberta pela Coordenadora da Regional São Paulo da Rede PEA-UNESCO e Diretora Geral do Colégio Guilherme Dumont Villares, Prof.ª Eliana Baptista Pereira Aun, a reunião foi um importante momento para o tratamento de questões e programas educacionais conjuntos para o ano de 2018 tendo como base as propostas da UNESCO.

A Prof.ª Eliana afirmou que o encontro fortalece a Rede PEA e confirma o empenho das escolas associadas pela busca contínua da qualidade de ensino e que o crescimento exponencial qualitativo e quantitativo da Rede no Estado de São Paulo tem sido constante, hoje atingindo 183 escolas, sendo 33 públicas e 150 privadas. Ela também pontuou sobre o foco do encontro, dirigido para questões prioritárias da comunidade mundial como os 17 ODS do desenvolvimento sustentável, aprendizagem intercultural, direitos humanos e água potável e saneamento. Alertou, ainda, que vivemos uma Sociedade do Conhecimento que tem sua base em competências cognitivas, pessoais e sociais que exigem pró-atividade, colaboração (o aprender junto), a personalização e a visão empreendedora. Sendo assim, os processos de organizar o currículo, as metodologias, os tempos e os espaços precisam ser revistos e reformulados.

Para a professora, ante as mudanças estabelecidas pela Nova Base Nacional Comum Curricular e pela estruturação do Novo Ensino Médio, hoje vivemos uma inevitável exigência de mudanças profundas na ação educacional, que exigem novos planos estratégicos. Para isso, os educadores precisam estar atentos, pesquisar, avaliar situações, pontos de vistas diferentes, fazer escolhas, assumir alguns riscos, aprender pela descoberta, caminhar do simples e habitual para o complexo sem perder a essência perene da Sala de Aula e sem perder a consciência de que somos uma Escola.

Neste cenário, apontou, a UNESCO através do Programa das Escolas Associadas tem muito a contribuir e a oferecer para o embasamento e estruturação de uma nova visão de gestão e a elaboração de um Currículo coerente e relevante que atenda as exigências do cidadão do século XXI.

O evento contou com a intervenção metodológica do Prof. Dr. Fernando José de Almeida, professor do curso de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo  e ex-Secretário da Educação do Município de São Paulo. Sua abordagem, “Aula Essencial no Contexto dos Currículos Escolares”, veio de encontro às expectativas dos educadores na atualidade em buscarem novas metodologias a serem aplicadas em sala de aula e que estejam conectadas às transformações sociais e tecnológicas por que passa a sociedade do século XXI.

__OS4934                    __OS4940

O professor, que orienta cadeira específica sobre Aula Essencial na universidade, mostrou que ela é um processo dinâmico de ensino/aprendizagem (coletivo e individual) em que a figura do professor/mestre planeja, organiza e conduz a interação entre as pessoas, mobilizadas de forma intencional e em direção à construção de um saber, alicerçado em um currículo – social e historicamente construído. Para ele, é fundamental (res)significar a aula como um ambiente envolvendo mestres e alunos que organizam uma sequência de conhecimentos com uma estrutura que contém possibilidade expositivas e argumentativas. A aula não está restrita apenas a uma sala, ela vai além dos muros da escola ou de essência inicial motivadora.

Em suma, qualquer que seja o conhecimento e o meio pelo qual o aluno tem acesso a ele, o mesmo só terá valor transformador caso seja carregado de significado, de geração de curiosidade para ir além, da produção de um saber coletivo, experimentado dentro de um contexto cultural e social adequados à realidade do aluno. A experiência do aprendizado é um caminho de ida e volta.

Em seguida, dentro do Programa da UNESCO de Educação para a Sustentabilidade, aconteceu a intervenção do Sr. Fernando Perfeito, Diretor Geral do Movimento Greenk, programa educativo que objetiva a orientação e conscientização da sociedade civil para o descarte correto do lixo eletrônico (e-lixo). Segundo ele, o Movimento Greenk foi pensado para conscientizar e mobilizar a sociedade para a correta destinação aos eletrônicos da linha verde (celulares, notebooks, tablets, acessórios, teclados, etc). Atualmente, no Brasil, apenas 3% do lixo eletrônico produzido têm o encaminhamento correto. Isso significa que a quase totalidade do e-lixo produzido é descartado sem nenhum tratamento, representando riscos à saúde e à natureza. De acordo com estudos, esses equipamentos contêm uma série de componentes químicos e substâncias altamente poluentes. Se descartados de forma incorreta, podem contaminar os terrenos e as águas, causando sérios riscos ao homem e ao meio ambiente.

__OS5040                    __OS5046

O Movimento Greenk conta com o apoio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo e um dos seus maiores objetivos em 2018 é mobilizar o maior número de escolas e estudantes por meio da organização de grandes eventos, como o Greenk Tech Show 2018, 2.ª edição do maior festival de tecnologia, inovação e sustentabilidade do Brasil, que mobiliza as pessoas sobre a importância do descarte correto do e-lixo, e o Torneio Greenk Intercolegial, com o objetivo de conscientizar os estudantes sobre o descarte correto do e-lixo e que mobilizará mais de 100 mil alunos de escolas públicas e privadas.

No encontro das escolas paulistas associadas à Rede PEA-UNESCO os educadores vivenciaram um momento de informação e reflexão sobre as comemorações e ações propostas pela UNESCO sobre a Década Internacional de Afrodescendentes (2015 – 2024) e das comemorações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A Década Internacional dos Povos Afrodescendentes é tempo por demais suficiente para refletirmos sobre as questões que dizem respeito não só às relações entre raças/etnias, ao combate ao racismo (envolvendo notadamente a raça negra em todos os quadrantes do mundo), mas, também, temática transversal ao estudo do tema direitos humanos, ou vice-versa.

Para abordar temática de tão alto significado nos contextos nacional e internacional, foi convidada a Prof.ª Helena M. Medeiros Lima, bióloga, pós doutora em Educação e consultora da UNESCO, da UNICEF e da OMS (Organização Mundial da Saúde), que proferiu palestra sobre o tema “África: Re-Conhecimento $ Intervenções para a Construção de uma Cultura de Paz”.

__OS5101                    __OS5120

A importância dessa abordagem está no fato de que o Brasil é o país não africano com a maior população proporcionalmente negra na escala global e coloca ao Estado e aos profissionais da educação o desafio de combater o racismo estrutural na sociedade e efetivar os planos e ações  voltados à superação desse desafio, tendo como base os propósitos assumidos a partir da Nova Agenda da Educação 2030.

A Professora Helena Lima alertou para o fato de que só poderemos falar de (re) educação para as relações étnico-raciais se, em outras palavras, formos capazes de defender/fazer respeitar o que é igual e ao mesmo tempo o que é diferente. Ou melhor, identificando na diferença o que nos assemelha e o que nos assemelha na diferença. Para ela, a escola deve partir da reflexão sobre qual o seu lugar frente ao tema Afro, enfrentar os estigmas que esse estudo envolve e construir um programa de estudo afro tendo como eixos: Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento e Discriminação Múltipla ou Agravada. Para tanto, segundo ela, passos como conscientização, pesquisa, partilha de informações e fortalecimento da cooperação são fundamentais na construção desse programa, que deve contar com um sólido processo de formação docente.

__OS5028

Durante o evento, a Prof.ª Myriam Viegas Tricate, Coordenadora Nacional das Escolas Associadas da UNESCO – BR,  trouxe sua mensagem sobre a expansão da Rede PEA no Brasil, as conquistas realizadas e a diversidade das escolas (privadas, públicas, indígenas e quilombolas) que hoje fazem parte da Rede. Ela lembrou que apenas o Acre, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima são as unidades da Federação que ainda não possuem escolas associadas, mas que em breve todo o território nacional será coberto pela Rede PEA-UNESCO, que conta com 364 escolas certificadas no Brasil e mais de 340 mil alunos espalhados pelo país levando as propostas da UNESCO. Por último, convidou todos os presentes a participarem Do Encontro Nacional das Escolas PEA-UNESCO, que acontecerá em Salvado (Bahia) no próximo mês de setembro.